Na foto: Da direita para a esquerda Alexandre,
seu pai João Schechtel, sua segunda esposa
(com a qual casou no Brasil) e as duas filhas desta.
Bem, após a chegada dos alemães na Rússia, vimos que a situação era bem diferente da prometida pela Czarina. No entanto, será que houve alguma mudança nos anos que se seguiram? Será que os alemães sucumbiram às dificuldades?
Para saber o que aconteceu, de fato, damos continuidade ao relato postado no dia 02/06/2007, contido no mesmo livro, do mesmo autor já citado:
"Depois de suportarem por dez anos uma situação de extremas necessidades, com muito trabalho, as aldeias do Volga foram se estruturando e começaram, lentamente, a desenvolverem-se, cehgando no século XIX com uma economia em expansão. As casas foram melhoradas, moinhos de vento e a vapor foram construídos. Os colonos transformaram-se em fazendeiros eficientes e passaram a prover o povo e o Estado russo de trigo, farinha e outros produtos de origem agrícola.
Como conseqüência, a população do Volga aumentou e foram fundadas cerca de cem novas colônias, chamadas de aldeias-filhas. (a maior parte delas no Wiesenseite). Esse desenvolvimento transformou os alemães do Volga em uma força econômica. Uma força econômica quase independente dentro da Rússia. Ali, só se falava o alemão e seus habitantes desfrutavam dos privilégios concedidos pela Czarina na época da imigração. Isso começou a despertar ressentimentos nos camponeses russos, que eram obrigados a pagar pesados impostos e cumprir todas as obrigações para com o Estado. Em razão dessas diferenças, mesmo depois de várias gerações de descendentes nascidos nas vilas, aquela gente não se considerava russa e também era tratada como estrangeira pelos próprios russos.
A língua oficial, dentro das vilas, era o alemão e pouquíssimas pessoas ali conheciam o idioma russo.
Essa situação levou o Czar Alexandre II, neto de Catarina II, a dar os primeiros passos no sentido de retirar todos os direitos concedidos aos alemães.
Aproveitando uma onda de nacionalismo que percorreu toda a Europa a partir de 1870, o Czar iniciou, em 1871, uma política de "russificação" do país, com um lema: "um Czar, uma religião, uma língua". Assim, em 4 de junho deste mesmo ano, decretou o fim de todos os benefícios concedidos aos imigrantes alemães e a seus descendentes.
Noventa e sete anos haviam se passado desde a chegada da primeira leva de colonizadores ao Volga.
Muita coisa tinha mudado depois desses longos anos de sofrimento e trabalho. Em torno de um milhão de habitantes, descendentes daqueles vinte e sete mil pioneiros, habitavam a região.
A partir do decreto, todos, indistintamente, teriam que obedecer, integralmente, às leis russas, pagar todos os impostos e falar a língua oficial do imério: o russo.
Naquela época, a família Schechtel já havia se espalhado pelas vilas de Frank, Kamenka, Schuck e Saratov. Mathias Schechtel, sua esposa Christina e seus filhos mudaram-se para a vila russa de Saratov à procura de melhores condições de trabalho. Johannes (ou João, como meu bisavô foi chamado no Brasil), um dos filhos de Mathias, trabalhou como cocheiro de ambulância em um hospital de Saratov. Casou-se com Anna Maria Matheus e teve, há saber, três filhos: Johannes, Paulina e Alexander (meu avô).
Já no Brasil, Alexander (Alexandre) lembrava que, quando criança, ficava contente cada vez que o pai o levava junto ao hospital de Saratov, pois podia almoçar lá e gostava muito da comida. No inverno, uma de suas brincadeiras favoritas era patinar, com os amigos, sobre as águas congeladas do rio Volga.
Segundo relat0, lembrava, ainda, o "vô" Alexandre, de quando sua mãe ficou doente e foi internada no hospital. Dias depois, durante uma tarde, ele e sua irmã Paulina, viram quando uma carroça fúnebre parou em frente da casa onde moravam, trazendo sua mãe de volta. - Mamãe está chegando! - gritaram de alegria os dois, pensando tratar-se da carroça da ambulância".