Imigração Alemã para a Rússia - Trecho do livro "Origens - Família Schechtel, Família Iede (Jede), escrito por Edilson Klug
"Durante o século XVIII, a Europa e todo o território do antigo Império Germânico (onde hoje está localizada a Alemanha), passavam por inúmeros conflitos entre as várias "casas" reinantes. Eram glebas disputadas por príncipes, condes e duques. (A Alemanha só consolidou-se como nação muitos anos depois, em 1871).
Como resultado dessas lutas pela posse de terras, eclodiu a "Guerra dos Trinta Anos" que assolou a região entre os anos de 1.618 e 1648. Os combates aconteciam dentro do território germânico. Logo após o término dessa longa guerra, seguiu-se a "Guerra dos Sete Anos" (1756 a 1763).
A morte dos jovens soldados na guerra, a fome, as doenças e o desemprego levaram o povo germânico ao desespero. Estima-se que trinta e cinco por cento da população tenha morrido em razão dessas guerras, enquanto os sobreviventes eram submetidos a uma situação de extrema pobreza e desesperança.
Neste mesmo período, subia ao trono da Rússia a czarina Catarina II, ocasião em que aquele Império passava por profundas modificações, consolidando suas fronteiras e modernizando o Estado.
A par do objetivo claro e difundido de povoar as terras do Império, havia um outro objetivo conhecido por poucos: O Império russo era constantemente assolado por bárbaros provenientes do Leste. Tribos nômades invadiam povoados, saqueavam as colheitas, matavam quem resistisse e raptavam os russos jovens do interior para vendê-los como escravos na China.
Portanto, o segundo objetivo do alto comando russo, possivelmente sem o conhecimento de Catarina II era, em estabelecendo colônias de imigrantes nas regiões desabitadas, criar um anteparo (escudo) contra as invasões bárbaras, evitando assim, que fossem atingidas as povoações russas.
Catarina II, conhecendo a situação difícil pela qual passavam os alemães depois das duas guerras seguidas, assim como a capacidade de sobrevivência e de trabalho de seus compatriotas, publicou um Manifesto com o objetivo de convidá-los a imigrarem para a Rússia, prometendo como incentivos: custeio da viagem até o local de assentamento, terras para cultivo, casas para moradia, ferramentas, auxílio financeiro par o início das atividades, isenção de impostos, dispensa do serviço militar russo aos imigrantes e a seus descendentes e liberdade de religião. Foi, ainda, garantido o direito aos imigrantes de continuarem a utilizar a língua germânica e seus dialetos, assim como manterem os costumes e tradições da sua terra natal.
A partir daí, iniciou-se o fluxo imigratório em direção à Rússia e, no período de 1764 a 1767, vinte e sete mil germânicos fizeram esta viagem.
Uma grande parte deixou sua terra natal, iludida com as promessas dos agentes russos de que ficariam em cidades grandes, trabalhando nas profissões que exerciam na Alemanha. Foram surpreendidos pelas péssimas condições de viagem e pelo fato de que teriam que trabalhar todos como agricultores, em uma região despovoada das estepes russas, às margens do rio Volga, conhecida como Baixo Volga, sem condições de exercer qualquer outra profissão. (A maioria dos imigrantes era formada por artífices e nada conheciam de agricultura).
A esta altura dos acontecimentos não havia como voltar. Foi uma longa viagem de sofrimentos e penúria. Muitos morreram durante o deslocamento, vítimas de doenças e fome. Ao chegarem no local estabelecido, as casa prometidas não existiam e nem material para construí-las. Com o inverno chegando, tiveram que passar meses em buracos cavados às pressas na terra para não morrerem de frio. Assim mesmo, centenas de vidas foram perdidas, tão desumanas as condições.
Ao final do inverno começaram a chegar de longe, através do rio, os materiais para construção das primeiras moradias (O Baixo Volga era uma região de campos, conhecida como "estepe russa", onde não existiam árvores de porte nem pedras que pudessem servir para construção).
Depois de precariamente estabelecidos e de muito trabalho no preparo do solo e no plantio, as primeiras colheitas foram frustrantes em razão da pouca qualidade da terra e da falta de conhecimento dos germânicos, sobre os trabalhos do campo. Outro problema agravou a situação. Os ataques dos bárbaros vieram logo nos primeiros anos. Mais de 1.000 jovens alemães foram raptados naquela época pela tribo dos Kirghizes e vendidos como escravos na China (nunca mais se ouviu falar deles).
As aldeias foram formadas de acordo com a religião do grupo fundador. Existiam aldeias católicas e outras protestantes. As moradias eram construídas em torno de uma rua e, no fim desta, a Igreja.
A religião foi o instrumento que manteve os imigrantes unidos, dando-lhes força para suportar as provações e esperanças de que conseguiriam reverter aquele pesadelo.
A Igreja não era só o centro da fé, mas também o centro de organização comunitária dentro das vilas.
A região onde foram instalados os alemães, conhecida como Baixo Volga, compreendia uma extensão de terras nos dois lados do rio do mesmo nome, onde predominava uma vegetação rasteira de campos, conhecida como estepe.
Assim, nesta região, próxima às vilas russas de Saratov e Sâmara, os imigrantes fundaram cento e quatro colônias nos dois lados do rio Volga. O lado oeste do rio ficou conhecido como Bergseite “lado da montanha” com sede na vila de Saratov. O lado leste ficou conhecido como Wiesenseite “lado do prado”, com sede na vila de Sâmara, conforme os mapas apresentados.
Como forma de evitar que os imigrantes vendessem posteriormente suas terras e abandonassem a colonização, o Governo Russo doou as terras “para as vilas” e estas cediam-nas perpetuamente para os colonos. Se alguma família deixasse o local, sua terra era destinada a outro imigrante".
(esta história continua um outro dia)

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