sábado, 22 de dezembro de 2007

Minha contribuição

Olá, pessoal! Para quem não me conhece, sou esse da foto ao lado.
Tenho visto meu pai escrever aqui nesse blog, e julguei importante dar minha contribuição. Realmente, é muito inspirador e fonte de grande responsabilidade saber que as famílias Klug, Iede e Schechtel passaram por tantas provações, mas também por grandes alegrias. Na minha idade (10 meses) a gente não pensa muito nisso, mas eu já sei que a minha geração, que agora começa, dará continuidade a tudo isso. Sem dúvida, os tempos são outros, mas a busca é a mesma. Acho que o que todos queriam naquele longínquo século XVIII, identifica-se com o que todos querem agora: trilhar o caminho da vida em busca da felicidade.
Leonardo O. Klug
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terça-feira, 16 de outubro de 2007

Culinária dos Alemães do Volga

Na certeza de que por meio da gastronomia podemos entender um pouco melhor a identidade de um povo, acrescento, hoje, mais 2 receitas típicas dos alemães do Volga, retiradas dos livros já citados ao longo deste blog. Bom proveito e bom apetite: KARTOFFEL BREI Ingredientes: 1 kg de pernil; 1/2 kg de cebola 2 kg de batata 1 kg de repolho azedo (ou fresco e refogado); Sal e pimenta a gosto Modo de preparar: Cozinhar bem o pernil com o sal e a pimenta, até corar, acrescentar a cebola picada e deixar fritar um pouco. Colocar um pouco de água e ferver por mais alguns minutos. Com as batatas fazer um purê a gosto. Servir a carne, o purê e o repolho azedo, aquecido, juntos. ****************************** BEBIDA KWAST (receita original da cerveja caseira como era feita no Volga) Ingredientes: 1/2 litro de malte torrado em grãos; 25 g de flor de lúpulo; 12 litros de água caseira; 20 g de levedura de cerveja; 600 g de açúcar Modo de preparar: Colocar o malte, a flor de lúpulo na água e ferver por aproximadamente uma hora e quarenta minutos. Agregar água fervente, à medida que for evaporando. Deixar esfriar por uma hora e meia.

sábado, 22 de setembro de 2007

"Desbravando Fronteiras: A Épica Jornada dos Alemães na Rússia do Século XVIII"

Futuro romance será ambientado historicamente na Rússia do Século XVIII

A seguir, trecho do futuro livro de Edilson Klug. Este romance é ambientado historicamente, cujo pano de fundo retrata as agruras por que passaram os alemães que decidiram aceitar o Manifesto do governo russo do séc. XVIII, na esperança de dias melhores.
"Um dos principais objetivos do Governo Russo neste período, era ocupar o seu território. A colonização com imigrantes europeus daquelas imensas áreas despovoadas traria como benefícios, ainda, o aumento da produção de alimentos e a mudança gradativa dos métodos agrícolas, que na Rússia eram muito atrasados.
Conhecendo a situação pela qual passavem os habitantes dos territórios germânicos, assim como a sua capacidade de sobrevivência e de trabalho, Catarina II publicou um segundo Manifesto em 22 de julho de 1763, com o objetivo de convidá-los a imigrarem para a Rússia, concedendo-lhes mais privilégios que o manifesto anterior, como: terras para cultivo, ferramentas, isenção de impostos por 30 anos, empréstimos para a manutenção inicial, com reembolso de 10 anos, dispensa do serviço militar russo aos imigrantes e a seus descendentes, liberdade para praticarem sua religião e administrarem suas vilas.
Ao par deste objetivo colonizador, claro e difundido, havia outro objetivo oculto.
O Império Russo era constantemente assolado por bárbaros provenientes do Leste. Tribos nômades invadiam pequenos povoados, saqueavam as colheitas, matavam quem resistisse e raptavam os russos jovens do interior para vendê-los como escravos na China.
Portanto, outro objetivo dos governantes russos, possivelmente sem o conhecimento de Catarina II, era estabelecer colônias de imigrantes nas regiões desabitadas, de forma a criar um anteparo (escudo) conra essas invasões. Evitavam, assim, que fossem atingidas as povoações russas, até que o Estado pudesse organizar-se suficientemente naquela região para fazer frente e aniquilar os bárbaros".

quinta-feira, 19 de julho de 2007

Familiaridade - Árvores Genealógicas - Sobrenome Klug

Familiaridade - Árvores Genealógicas - Sobrenome Klug Sempre interessante vermos e lembrarmos de todos aqueles que, com o mesmo sobrenome, detêm um pouco da mesma história que nos uniu. Roberson Klug

domingo, 15 de julho de 2007

Em direção à Sibéria!

Muitos descendentes dos imigrantes, desgostosos com o decreto que retirava todos os benefícios concedidos, começaram a deixar a Rússia, partindo em direção à América.
A par disso e com o intuito de enfraquecer ainda mais as vilas germânicas, o governo russo passou a incentivar os alemães que permaneceram no Volga a migrarem para a Sibéria, oferecendo terras a preços irrisórios, empréstimo com carência de três anos e isenção de impostos por cinco anos (é bom lembrar que as terras doadas pelo governo russo em 1764 nas duas margens do Volga, não podiam ser expandidas, há não ser através da compra de novas áreas. Porém, o preço era extremamente alto. Assim, de acordo com o sistema russo adotado pelos imigrantes (conhecido como sistema "dush") o pai, no final de sua vida, subdividia a posse da terra entre seus filhos homens. Com o passar do tempo, a terra que cabia a cada descendente foi ficando cada vez menor, chegando a um tempo em que simplesmente não havia mais terra para dividir).
Embora a Sibéria fosse, naquela época, conhecida (e temida) como lugar de desterro e de trabalho forçado nas minas de carvão e pelo extremo frio, falava-se que tinha planícies férteis e propícias para a agricultura e criação de gado. Com esta esperança muitos descendentes dos imigrantes lançaram-se a esta nova aventura e foram desbravar a inóspita e gelada região montranhosa do Altai, nas proximidades da fronteira com o Kazaquistão.
Este foi o caminho tomado, alguns anos depois, pelos nossos antepassados, membros da família Iede (ou Jede) que habitavam a vila de Marienburg, próxima à cidade de Samara, no Wiesenseite do Baixo Volga.
(como sempre, esta história, escrita por EDILSON KLUG, continua um outro dia)

terça-feira, 5 de junho de 2007

ANTEPASSADO - Carlos Drummond de Andrade, in: A paixão medida

"Só te conheço de retrato, não te conheço de verdade, mas teu sangue bole em meu sangue e sem saber te vivo em mim e sem saber vou copiando tuas imprevistas maneiras, mais do que isso: teu fremente modo de ser, enclausurado entre ferros de conveniência ou aranhóis de burguesia, vou descobrindo o que me deste sem saber que o davas, na líquida transmissão de taras e dons, vou te compreendendo, somente de esmerilar em teu retrato o que a pacatez de um retrato ou o seu vago negativo, nele implícito e reticente, filtra de um homem; sua face oculta de si mesmo; impulso primitivo; paixão insone e mais trevosas intenções que jamais assumiram ato nem mesmo sombra de palavra, mas ficaram dentro se ti cozinhadas em lenha surda. Acabei descobrindo tudo que teus papéis não confessaram nem a memória de família transmitiu como fato histórico, e agora te conheço mais do que a mim próprio me conheço, pois sou teu vaso e transcendência, teu duende mal encarnado. Refaço os gestos que o retrato não pode ter, aqueles gestos que ficaram em ti à espera de tardia repetição, e tão meus eles se tornaram, tão aderentes ao meu ser que suponho tu os copiaste de mim antes que eu os fizesse, e furtando-me a iniciativa, meu ladrão, roubaste-me o espírito".
___________________________________________________________
Carlos Drummond de Andrade (Itabira, 31 de outubro de 1902Rio de Janeiro, 17 de agosto de 1987) é considerado um dos principais poetas da literatura brasileira devido à repercussão e alcance de sua obra. Nasceu em Minas Gerais, em uma cidade cuja memória viria a permear parte de sua obra. Formado em farmácia, durante a maior parte da vida foi funcionário público, embora tenha começado a escrever cedo e prosseguido até seu falecimento, que se deu em 1987 no Rio de Janeiro, doze dias após a morte de sua única filha, a escritora Maria Julieta Drummond de Andrade. Além de poesia, produziu livros infantis, contos e crônicas.
(WIKIPÉDIA. Desenvolvido pela Wikimedia Foundation. Apresenta conteúdo enciclopédico. Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/w/index.php?title=Carlos_Drummond_de_Andrade&oldid=6237868>).

domingo, 3 de junho de 2007

Tio e sobrinho no século XXI

Dentro do objetivo deste blog, qual seja, discutir e refletir sobre passado e atualidade, vez que integrantes de uma mesma realidade atemporal, percorremos mais de 200 anos da chegada de nossos antepassados ao Brasil, para podermos tirar essa foto, de dois integrantes da família Klug:

Na foto, o menor (no colo!!) já é conhecido dos amigos deste blog. Ainda não tem profissão, tampouco (penso eu) sabe que quem o segura em seus braços é seu tio Marlon Klug.

Este de já notória reputação, cuja apresentação oficial nos diz: "Marlon Klug é diretor de cena. Dirigiu, em dupla com Carlão Busato, mais de 300 comerciais, desde 1998. Ganhou diversos prêmios como a Lâmpada de ouro da ABP e bronze no festival de NY, entre outros".

Não demorará muito, entretanto, para que o Leonardo tenha muito orgulho e interesse pela carreira dinâmica e desafiadora de seu tio, quem sabe fazendo par com seu outro tio - Peterson Klug, que segue o mesmo métier.

Segue, assim, do passado ao presente, a história de cada um de nós: de Johann Erdmann Klug (Quinto avô do Marlon), nascido em 1801, na Pomerânia, agricultor ... passando por Carl Friedrich Wilhelm Klug (trisavô do referido publicitário), nascido em 1844, com profissão de cocheiro e criador ... aproximando-se do avô Carlos Klug (Carlito), ferroviário, escritor e poeta ... a Marlon Klug, publicitário, diretor de cena e tio do Leonardo.

Um Czar, uma religião, uma língua.

Na foto: Da direita para a esquerda Alexandre,
seu pai João Schechtel, sua segunda esposa
(com a qual casou no Brasil) e as duas filhas desta.
Bem, após a chegada dos alemães na Rússia, vimos que a situação era bem diferente da prometida pela Czarina. No entanto, será que houve alguma mudança nos anos que se seguiram? Será que os alemães sucumbiram às dificuldades?
Para saber o que aconteceu, de fato, damos continuidade ao relato postado no dia 02/06/2007, contido no mesmo livro, do mesmo autor já citado:
"Depois de suportarem por dez anos uma situação de extremas necessidades, com muito trabalho, as aldeias do Volga foram se estruturando e começaram, lentamente, a desenvolverem-se, cehgando no século XIX com uma economia em expansão. As casas foram melhoradas, moinhos de vento e a vapor foram construídos. Os colonos transformaram-se em fazendeiros eficientes e passaram a prover o povo e o Estado russo de trigo, farinha e outros produtos de origem agrícola.
Como conseqüência, a população do Volga aumentou e foram fundadas cerca de cem novas colônias, chamadas de aldeias-filhas. (a maior parte delas no Wiesenseite). Esse desenvolvimento transformou os alemães do Volga em uma força econômica. Uma força econômica quase independente dentro da Rússia. Ali, só se falava o alemão e seus habitantes desfrutavam dos privilégios concedidos pela Czarina na época da imigração. Isso começou a despertar ressentimentos nos camponeses russos, que eram obrigados a pagar pesados impostos e cumprir todas as obrigações para com o Estado. Em razão dessas diferenças, mesmo depois de várias gerações de descendentes nascidos nas vilas, aquela gente não se considerava russa e também era tratada como estrangeira pelos próprios russos.
A língua oficial, dentro das vilas, era o alemão e pouquíssimas pessoas ali conheciam o idioma russo.
Essa situação levou o Czar Alexandre II, neto de Catarina II, a dar os primeiros passos no sentido de retirar todos os direitos concedidos aos alemães.
Aproveitando uma onda de nacionalismo que percorreu toda a Europa a partir de 1870, o Czar iniciou, em 1871, uma política de "russificação" do país, com um lema: "um Czar, uma religião, uma língua". Assim, em 4 de junho deste mesmo ano, decretou o fim de todos os benefícios concedidos aos imigrantes alemães e a seus descendentes.
Noventa e sete anos haviam se passado desde a chegada da primeira leva de colonizadores ao Volga.
Muita coisa tinha mudado depois desses longos anos de sofrimento e trabalho. Em torno de um milhão de habitantes, descendentes daqueles vinte e sete mil pioneiros, habitavam a região.
A partir do decreto, todos, indistintamente, teriam que obedecer, integralmente, às leis russas, pagar todos os impostos e falar a língua oficial do imério: o russo.
Naquela época, a família Schechtel já havia se espalhado pelas vilas de Frank, Kamenka, Schuck e Saratov. Mathias Schechtel, sua esposa Christina e seus filhos mudaram-se para a vila russa de Saratov à procura de melhores condições de trabalho. Johannes (ou João, como meu bisavô foi chamado no Brasil), um dos filhos de Mathias, trabalhou como cocheiro de ambulância em um hospital de Saratov. Casou-se com Anna Maria Matheus e teve, há saber, três filhos: Johannes, Paulina e Alexander (meu avô).
Já no Brasil, Alexander (Alexandre) lembrava que, quando criança, ficava contente cada vez que o pai o levava junto ao hospital de Saratov, pois podia almoçar lá e gostava muito da comida. No inverno, uma de suas brincadeiras favoritas era patinar, com os amigos, sobre as águas congeladas do rio Volga.
Segundo relat0, lembrava, ainda, o "vô" Alexandre, de quando sua mãe ficou doente e foi internada no hospital. Dias depois, durante uma tarde, ele e sua irmã Paulina, viram quando uma carroça fúnebre parou em frente da casa onde moravam, trazendo sua mãe de volta. - Mamãe está chegando! - gritaram de alegria os dois, pensando tratar-se da carroça da ambulância".

Antepassados?

Caros amigos:
O mais interessante dessa história de antepassados e suas aventuras humanas, para mim pelo menos, reside na certeza das ocorrências reais dos fatos narrados, em que podemos inferir as angústias e felicidades por que todos passaram.
Assim, independentemente de "passarmos os olhos" nas histórias vividas pelas famílias Klug, Schechtel, Iede ou pela história das origens da família Silva, Magalhães, Grings, Meinerz, Jung, Haag, Horn ou Schmitt, o relevante é deixarmo-nos levar pelas emoções transmitidas, com a consciência de que estas experiências vividas no passado são condições sinae qua non para nossa existência hoje.
A foto ao lado retrata parte da família Iede, que veio de Ponta Grossa para Curitiba.
João (Johannes) Iede, sua esposa Katharina e filhos (da direita para a esquerda) José, Ana, Amália* e João Filho. O jovem atrás é Jorge (Georg), irmão mais novo de João.
* Amália é minha bisavó (avó do autor do livro já citado), mãe de minha avó paterna.

sábado, 2 de junho de 2007

Da Desolação à Determinação: A Épica Jornada dos Germânicos Rumo à Rússia - Uma Saga de Promessas, Desafios e Resiliência

Imigração Alemã para a Rússia - Trecho do livro "Origens - Família Schechtel, Família Iede (Jede), escrito por Edilson Klug

"Durante o século XVIII, a Europa e todo o território do antigo Império Germânico (onde hoje está localizada a Alemanha), passavam por inúmeros conflitos entre as várias "casas" reinantes. Eram glebas disputadas por príncipes, condes e duques. (A Alemanha só consolidou-se como nação muitos anos depois, em 1871). Como resultado dessas lutas pela posse de terras, eclodiu a "Guerra dos Trinta Anos" que assolou a região entre os anos de 1.618 e 1648. Os combates aconteciam dentro do território germânico. Logo após o término dessa longa guerra, seguiu-se a "Guerra dos Sete Anos" (1756 a 1763). A morte dos jovens soldados na guerra, a fome, as doenças e o desemprego levaram o povo germânico ao desespero. Estima-se que trinta e cinco por cento da população tenha morrido em razão dessas guerras, enquanto os sobreviventes eram submetidos a uma situação de extrema pobreza e desesperança. Neste mesmo período, subia ao trono da Rússia a czarina Catarina II, ocasião em que aquele Império passava por profundas modificações, consolidando suas fronteiras e modernizando o Estado. A par do objetivo claro e difundido de povoar as terras do Império, havia um outro objetivo conhecido por poucos: O Império russo era constantemente assolado por bárbaros provenientes do Leste. Tribos nômades invadiam povoados, saqueavam as colheitas, matavam quem resistisse e raptavam os russos jovens do interior para vendê-los como escravos na China. Portanto, o segundo objetivo do alto comando russo, possivelmente sem o conhecimento de Catarina II era, em estabelecendo colônias de imigrantes nas regiões desabitadas, criar um anteparo (escudo) contra as invasões bárbaras, evitando assim, que fossem atingidas as povoações russas. Catarina II, conhecendo a situação difícil pela qual passavam os alemães depois das duas guerras seguidas, assim como a capacidade de sobrevivência e de trabalho de seus compatriotas, publicou um Manifesto com o objetivo de convidá-los a imigrarem para a Rússia, prometendo como incentivos: custeio da viagem até o local de assentamento, terras para cultivo, casas para moradia, ferramentas, auxílio financeiro par o início das atividades, isenção de impostos, dispensa do serviço militar russo aos imigrantes e a seus descendentes e liberdade de religião. Foi, ainda, garantido o direito aos imigrantes de continuarem a utilizar a língua germânica e seus dialetos, assim como manterem os costumes e tradições da sua terra natal. A partir daí, iniciou-se o fluxo imigratório em direção à Rússia e, no período de 1764 a 1767, vinte e sete mil germânicos fizeram esta viagem. Uma grande parte deixou sua terra natal, iludida com as promessas dos agentes russos de que ficariam em cidades grandes, trabalhando nas profissões que exerciam na Alemanha. Foram surpreendidos pelas péssimas condições de viagem e pelo fato de que teriam que trabalhar todos como agricultores, em uma região despovoada das estepes russas, às margens do rio Volga, conhecida como Baixo Volga, sem condições de exercer qualquer outra profissão. (A maioria dos imigrantes era formada por artífices e nada conheciam de agricultura). A esta altura dos acontecimentos não havia como voltar. Foi uma longa viagem de sofrimentos e penúria. Muitos morreram durante o deslocamento, vítimas de doenças e fome. Ao chegarem no local estabelecido, as casa prometidas não existiam e nem material para construí-las. Com o inverno chegando, tiveram que passar meses em buracos cavados às pressas na terra para não morrerem de frio. Assim mesmo, centenas de vidas foram perdidas, tão desumanas as condições. Ao final do inverno começaram a chegar de longe, através do rio, os materiais para construção das primeiras moradias (O Baixo Volga era uma região de campos, conhecida como "estepe russa", onde não existiam árvores de porte nem pedras que pudessem servir para construção). Depois de precariamente estabelecidos e de muito trabalho no preparo do solo e no plantio, as primeiras colheitas foram frustrantes em razão da pouca qualidade da terra e da falta de conhecimento dos germânicos, sobre os trabalhos do campo. Outro problema agravou a situação. Os ataques dos bárbaros vieram logo nos primeiros anos. Mais de 1.000 jovens alemães foram raptados naquela época pela tribo dos Kirghizes e vendidos como escravos na China (nunca mais se ouviu falar deles). As aldeias foram formadas de acordo com a religião do grupo fundador. Existiam aldeias católicas e outras protestantes. As moradias eram construídas em torno de uma rua e, no fim desta, a Igreja. A religião foi o instrumento que manteve os imigrantes unidos, dando-lhes força para suportar as provações e esperanças de que conseguiriam reverter aquele pesadelo. A Igreja não era só o centro da fé, mas também o centro de organização comunitária dentro das vilas. A região onde foram instalados os alemães, conhecida como Baixo Volga, compreendia uma extensão de terras nos dois lados do rio do mesmo nome, onde predominava uma vegetação rasteira de campos, conhecida como estepe. Assim, nesta região, próxima às vilas russas de Saratov e Sâmara, os imigrantes fundaram cento e quatro colônias nos dois lados do rio Volga. O lado oeste do rio ficou conhecido como Bergseite “lado da montanha” com sede na vila de Saratov. O lado leste ficou conhecido como Wiesenseite “lado do prado”, com sede na vila de Sâmara, conforme os mapas apresentados. Como forma de evitar que os imigrantes vendessem posteriormente suas terras e abandonassem a colonização, o Governo Russo doou as terras “para as vilas” e estas cediam-nas perpetuamente para os colonos. Se alguma família deixasse o local, sua terra era destinada a outro imigrante".
(esta história continua um outro dia)

quarta-feira, 30 de maio de 2007

Culinária dos alemães do Volga

(foto ilustrativa)
O livro Origens - Família Schechtel/Família Iede (Jede), de autoria de Edilson Klug, após narrar os acontecimentos mais relevantes das famílias citadas durante os séculos, sem olvidar-se de contextualizar historicamente estes períodos como, v.g, os bastidores da imigração alemã para a Rússia (séc. XVIII), a vinda dos alemães para a América, o incentivo russo à migração dos alemães para a Sibéria, a fundação da República Autônoma dos Alemães do Volga, etc, reúne uma série de saborosas receitas típicas. Destarte, proponho a todos, hoje, experimentarmos a receita do Pão Alemão: Ingredientes: 300 ml de água morna; 50g de fermento fresco; 2 colheres de sopa de açúcar; 3 colheres de sopa de farinha de trigo. Misture tudo e aguarde 20 minutos, depois junte: 1 kg de farinha de trigo; 1 colher de sopa de sal; 2 colheres de sopa de banha; 1 copo de água ou leite. Amasse e sove até soltar das mãos, e deixe por 1 hora em vasilha coberta com pano de prato. Abaixar a massa, dividir em 3, colocar em forma untada, deixar crescer por mais 1 hora. Ponha em forno bem quente até corar.
Obs: Se bem embalado, dura até 15 dias sem estragar.
Dica: Se colocado na massa, 1 colher de sopa de farinha de mandioca, será atenuado o gosto de fermento no pão.

domingo, 27 de maio de 2007

"Raízes da Família Schechtel: Uma Jornada de Gerações da Alemanha à América"Um pouco de história sobre a família SCHECHTEL

(1) Ao lado, foto dos livros citados.

Um pouco de história sobre a família SCHECHTEL

A origem da família Schechtel, cuja saudosa memória tenho de minha avó paterna - Srª Alzira Schechtel Klug, foi assim relatada em "ORIGENS - FAMÍLIA SCHECHTEL/FAMÍLIA IEDE (JEDE)", de Edilson Klug (1): "As famílias Schechtel e Iede (alguns grafam Jede) são originárias do sul da Alemanha, mais precisamente das regiões de Rheinland-Pfalz e Hessen. Membros destas duas famílias partiram destes locais, juntamente com
um grande número de alemães e se estabeleceram na Rússia.
Este movimento de imigração ocorreu no século XVIII, entre os anos de 1764 e 1767. Os alemães permaneceram em torno de um século na Rússia, após o que foram forçados a deixar aquele país e imigrar para a América. Alguns chegaram ao Brasil e entre esses, meus antepassados".

Chegada do Trem - conto de Carlos Klug

COM A NOITE,
AQUELA SENSAÇÃO
DE VAZIO, DE INTEIRO
ABANDONO...
O pequeno rádio da sala ora dava
notícias de um mundo longínquo, ora
apregoava mercadorias, ou apresentava
uma cantiga.
Mas, por quê?
Se a verdadeira canção estava lá
fora, no cantar da fonte cristalina, no cicio
amoroso da folhagem, no perfume das
flores que desabrochavam.
Quando a grande poesia está na
espera por alguém que não vem.
Uma rãzinha verde fitava perplexa a
imensa abóbada estrelada, como que
cismando sobre a diferença que vai da
estreiteza do raciocínio humano à
incomensurável grandiosidade dos
desígnios divinos.
Em rápida sucessão rememorou os
principais acontecimentos da sua vida
conjugal, a aflição dos primeiros tempos
em que o marido viajava, sempre
temerosa de que algo de mal
acontecesse...
A angústia dos minutos intermináveis
de espera...
Todavia, para compensar, a alegria
das chegadas, ele cansado, porém
carinhoso, relatando com entusiasmo os
menores incidentes da viagem.
Até que, certo dia, a notícia do
acidente fatal, que a lançou na cruel solidão.
tecia demoradas considerações
sobre o assunto, procurando coragem
na sua fraqueza, como criança pobre
imagina um vestido de baile para sua
boneca de pano.
Caprichava no entrelaçamento das
idéias, porém, ao invés de fino rendado
deparava-se-lhe grotesco emaranhado.
Uma fina fatia de lua, lá do alto,
espreitava por detrás das nuvens,
vestindo de prata a exuberância da
noite brasileira.
E de repente, dentro da noite, o
silvo agudo do trem que chegava.
A Estação devia estar cheia de
gente que aguardava ansiosa os seus
entes queridos...
A viúva do maquinista enxugou
mais uma lágrima.
(página 17, do livro "Família Klug", de Edilson Klug)

sábado, 26 de maio de 2007

Quem foi Carlos Klug - Carlito

Meu avô - Carlos Klug, foi assim descrito no livro "Família Klug", de Edilson Klug: "Meu pai era conhecido como Carlito. Cursou o ginasial (2º grau) no Colégio Paranaense. Durante a juventude desenvolveu o gosto pela pintura e produziu alguns quadros a óleo. Parou de pintar ainda jovem. Trabalhou durante 35 anos nas áreas administrativas da Rede de Viação Paraná-Santa Catarina (RVPSC) e Rede Ferroviária Federal S.A (RFFSA). Casou-se com Alzira Schechtel em 16/01/1943 e residiu na Alameda Prudente de Moraes, nº 454, na cidade de Curitiba. Gostava da vida boêmia e era considerado por todos como pessoa de inteligência acima da média. Escrevia muito bem em prosa e verso. Produziu contos, artigos e poemas para jornais e para a revista "Correio dos Ferroviários", assinando como Carlos Klug, Carlito ou, ainda, usando os pseudônimos "Cirano" e "K.Litto". Aposentou-se da RFFSA no ano de 1980".

"Raízes da Família Klug: Da Pomerânia e Prússia, Uma Saga Que Resistiu ao Tempo"

Um pouco de história sobre a família KLUG

"... Nos séculos XVIII e XIX, a família Klug vivia na Pomerânia, antiga província da Alemanha. No século XVIII, esta província passou a fazer parte do reino da Prússia. Após a 2ª Grande Guerra, a Prússia deixou de existir e hoje o território da antiga Pomerânia está dividido entre Alemanha e Polônia".
"... No ano de 1772, Frederico, o Grande, determinou que fosse feito um levantamento sobre propriedade das terras na região da Pomerânia, então território da Prússia, com o objetivo de regularizar as cobranças do imposto sobre a terra. Neste levantamento, publicado pela Odessa Biblioteca Digital (http://pixer.cs.vt.edu/library/odessa.html), constam habitantes com o sobrenome Klug". Excerto do livro "Família Klug", de Edilson Klug

Mais de 230 anos após os primeiros registros ... o mais novo integrante da família Klug nasce em fev/2007.

Leonardo

Leonardo!
Quem poderia imaginar que a alegria de vê-lo, tranformar-se-ia na sensação mais intensa de nossas vidas.
Que Deus te ilumine no caminho da luz, bondade, altruísmo e retidão.
Papai e mamãe!

Entardecer

Aproxima-se o entardecer.

Mais um dia que se despede.

Nas ruas, as pessoas voltam apressadas para suas casas.

Querem descansar.

Eu fico aqui, observando os movimentos descoordenados desta multidão sem rosto, mas de estranha sintonia.

Penso ... como terá sido o dia daquele jovem que caminha ligeiro pela calçada?

Vaticino .... quais os pensamentos daquela senhora, de expressão sofrida, que caminha desajeitada com as sacolas do supermercado?

Vidas que caminham.

Vidas que se cruzam.

Ninguém se conhece.

Todos perigosamente distantes.

O que querem de suas vidas? O que farão deste entardecer?

Não sei, mas fico aqui a imaginar.

roberson klug